"Uma Família Feliz" de Raphael Montes: Vale a pena ler?
Eis que eu fui ler um livrinho bem leve, Raphael Montes tem essa fama, né? Só escreve coisinhas assim, e gente... tenho opiniões sobre esse livro! Contexto O li
10 de janeiro de 2025
Eis que eu fui ler um livrinho bem leve, Raphael Montes tem essa fama, né? Só escreve coisinhas assim, e gente... tenho opiniões sobre esse livro! Contexto O livro já começa com... Eis que eu fui ler um livrinho bem leve, Raphael Montes tem essa fama, né? Só escreve coisinhas assim, e gente... tenho opiniões sobre esse livro! Contexto O livro já começa com um soco no estômago. No primeiro capítulo, acompanhamos Eva enterrando uma de suas filhas de forma nada convencional (diga-se de passagem), com umas falas extremamente estranhas, pedidos de desculpa e ações que indicam que ela está tremendamente arrependida por alguma coisa. Depois, ela coloca a outra filha no carro, indo para uma via movimentada, entrando na contramão e jogando o carro em cima de um caminhão, com o simples intuito de praticar o autoextermínio. Sim, é isso mesmo. Aí você fica: tá bom, POR QUÊ? COMO? ELA É DOIDA? No segundo capítulo, você tem um “flashback” onde você se vê um ano antes do acontecimento, e o livro todo segue esse formato, meses antes do ocorrido, semanas antes, e você vai acompanhando pra saber COMO o começo do livro realmente aconteceu. Desenvolvimento da história e personagens Eva é uma personagem difícil de simpatizar. Confesso que me senti EXATAMENTE quando li Verity (de Colleen Hoover): existe uma barreira emocional que impede uma conexão real. E por quê? Porque a pergunta que martela o cérebro é: o que justificaria uma mãe querer exterminar suas próprias filhas? E a construção da personagem não ajuda a ser diferente, já que durante a gravidez e nos primeiros meses de vida do bebê, Eva demonstra sinais de uma depressão pós-parto MUITO grave e pensamentos EXTREMAMENTE perturbadores sobre o bebê. A sensação de afundamento psicológico é palpável. Vicente, o marido de Eva, também não me desceu. Ele é pintado como o "marido perfeito", mas, sinceramente, ele desempenha o MÍNIMO possível no cuidado com o bebê e ainda cobra de Eva as tarefas que ela fazia antes da maternidade. As enteadas de Eva têm pouca presença direta no livro (com diálogos e cenas onde as duas estão sozinhas), mas sua importância para o enredo é gigantesca. Mas vamos lá, onde a história começa de fato a acontec